Moscou e Grupo Wagner: Operações na República Centro-Africana

     A relação da Rússia com os países africanos se baseia em três pilares: cooperação militar, cooperação energética e no comércio, principalmente, de commodities. No entanto, nos últimos anos, surgiu uma variável importante nessa equação: a presença das Empresas Militares Privadas, em especial o Grupo Wagner. Dentre as principais atribuições dessa empresa estão a proteção de instalações estratégicas e a segurança de oficiais dos países em que atua. Todavia, por não responderem diretamente a nenhum tribunal, acabam protagonizando episódios de violações de Direitos Humanos (DHs), levantando questionamentos acerca da sua eficiência. 



     A utilização de mercenários como instrumentos geopolíticos não é algo recente no sistema internacional. Contudo, a expansão do número de países com presença do Grupo Wagner é notória, passando de quatro em 2015, para 27 em 2021. Nesse contexto, a República Centro-Africana figura como um dos países com maior presença russa, tanto em relação aos acordos de cooperação militar quanto ao uso de mercenários para combater insurgências. Desde 2018, o suporte de Moscou tem sido fundamental para os esforços do governo de Faustin-Archange Touadéra em retomar o controle de 80% do território do país, que está sob domínio de rebeldes. Em contrapartida, Bangui concederia aos russos o direito de exploração de minas de ouro e diamantes localizadas nessas regiões, e parte dessas receitas seriam direcionadas a empresas ligadas ao líder do Grupo Wagner. Nesse cenário, no início de maio, o think tank Human Rights Watch emitiu um comunicado alertando para os casos graves de violações de DHs, envolvendo torturas e massacre de civis, que estariam acontecendo há três anos. 

     Portanto, o interesse de Moscou na África tem como objetivo a promoção de seus interesses econômicos e geopolíticos. Contudo, além do problema grave no que diz respeito aos DHs, esse tipo de empresa prospera em ambientes de instabilidade, indo de encontro ao propósito alegado de contribuir para a estabilização dos países nos quais atuam.

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

A decadente posição do Iraque frente às agressões entre EUA e Irã

A pirataria no estreito de Ormuz e as conseqüências para o mercado global

A militarização da segurança pública mexicana