A pirataria no estreito de Ormuz e as conseqüências para o mercado global
O comércio através do Estreito de Ormuz é
historicamente permeado por disputas enraizadas em interesses políticos e
econômicos. A insegurança regional gera instabilidade nas rotas marítimas
comerciais que circundam a Península Arábica, causando ameaças ao comércio
global de petróleo, principalmente no Estreito de Ormuz, por onde transita
diariamente 35% do petróleo e um terço do gás natural liquefeito (GNL)
mundiais. Ao considerar as características regionais supracitadas, uma
problemática é abordada como fator determinante para essa insegurança: a
pirataria.
Um recente estudo divulgado pela Duke University analisou as implicações
da pirataria no Estreito de Ormuz contra navios-tanque e seus efeitos para os
países do Golfo Pérsico, principalmente no que tange à exportação de
combustíveis fósseis. Devido ao aumento dos casos de pirataria na região e a
crescente insegurança marítima frente aos conflitos, observa-se uma ampliação
dos gastos em segurança no transporte internacional e a conseqüente redução, em
média, de 7,5 embarcações por ano, que permanece até dois anos após cada
ataque.
O estudo afirma que o impacto da pirataria
afeta diferentemente os países exportadores de petróleo bruto e petróleo
refinado (RPP, sigla em inglês para refined
petroleum products). No primeiro caso, países como Arábia Saudita e
Emirados Árabes Unidos não são tão afetados, devido à alta concentração da
produção global na região e à baixa elasticidade preço-demanda por petróleo
bruto. Nesse sentido, um aumento de custos com segurança no transporte não tem
impactos tão significativos na demanda quanto no caso de RPP. Este, por sua
vez, é comercializado de forma mais competitiva entre mercados, dada a
existência de mais de 700 refinarias globalmente, o que o torna mais sensível a
aumentos de custos. Os impactos sobre economias como Bahrein e Kuwait, cujas
exportações de RPP compõem uma grande fração de seu PIB, são muito maiores.
Contudo, além da instabilidade das rotas
comerciais, outro fator ameaça as exportações de países exportadores de
petróleo, a COVID-19, que gerou uma queda da demanda de aproximadamente 90.000
barris por dia em relação à 2019. Além da queda vertiginosa nos preços do
barril do petróleo, resta saber como as economias do petróleo no Oriente Médio
serão afetadas pela crise que assola, dentre diversos países, as maiores
economias globais e, consequentemente, os principais importadores da commodity.

Comentários
Postar um comentário