A fragmentação como ameaça à hegemonia do Ocidente


Entre 14 e 16 de fevereiro de 2020, foi realizada a 56ª Conferência de Segurança de Munique (MSC, sigla em inglês). O principal tópico da edição foi Westlessness, que descreve a hipótese de um Ocidente em declínio, fragmentado por dentro e que influencia cada vez menos a Ordem Internacional. Um dos principais participantes foi o secretário de Estado norte-americano, Mike Pompeo, que, com uma opinião divergente a de seus vizinhos transatlânticos, afirmou: “o Ocidente está ganhando”.
Com seu discurso, Pompeo aspira incentivar a união do Ocidente, salientando a importância da OTAN, principalmente em oposição à potência chinesa.
   Recentemente, o principal parceiro europeu do Governo Trump, o primeiro-ministro britânico Boris Johnson, anunciou que permitirá a construção de partes da nova rede de banda larga móvel 5G pela empresa chinesa Huawei. De acordo com os norte-americanos, tal posicionamento é uma ameaça existencial à ordem do mundo ocidental, como foi demonstrado pelo discurso de Pompeo no MSC: “A Huawei e outras empresas de tecnologia chinesas apoiadas pelo governo são Cavalos de Tróia para a inteligência chinesa”. Os EUA vêm advertindo que ao deixar a empresa ter acesso às redes que controlam comunicações importantes dariam ao governo chinês a capacidade não somente de espionar, mas também de sabotar.
   Além disso, de acordo com o Defence Expenditure of NATO Countries (2013-2019), somente 9 países dos 29 membros da organização aumentaram seus gastos em defesa para 2% referente ao PIB e constitui aproximadamente 70% do total em dólares do orçamento da OTAN. Logo, tal disparidade alvo de críticas desde o início do mandato de Donald Trump, afirmando que os países aliados tiram vantagem dos investimentos estadunidenses. Mesmo que o discurso de Pompeo enfatize a vitória coletiva do Ocidente, na MSC, o francês Emmanuel Macron, posicionou-se criticamente aos EUA, afirmando que acredita no enfraquecimento do Ocidente e incentivou o desenvolvimento da soberania européia em defesa.
   Desse modo, tanto a resposta positiva britânica quanto o posicionamento francês demonstram a divergência do ponto de vista entre os Estados Unidos e os países europeus. Situação que dificulta a busca estadunidense de aliados para conter o crescimento da influência chinesa e manter o status quo do sistema internacional em meio à pandemia.

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