A militarização da segurança pública mexicana

    O Exército mexicano terá o controle da segurança pública do país até 2024, de acordo com a lei adotada pelo presidente Andrés Manuel López Obrador, que surpreendeu. Isso porque a medida entra em vigor um ano após a criação da Guarda Nacional – conjunto de tropas policiais militares que visa garantir a segurança e o combate ao crime organizado, mas que atua, majoritariamente, na fronteira controlando a imigração ilegal. Ademais, a aprovação da lei se deu em plena pandemia de COVID-19, momento em que o México decretou o colapso de seu sistema de saúde e, atualmente, registra mais de 142 mil casos confirmados. Contudo, fica claro o empenho de López Obrador em definir meios para conter os altos índices de violência e criminalidade do país.

    Essa estratégia se assimila à adotada pelo ex-presidente mexicano, Felipe Calderón, que, há 14 anos, centralizou a segurança pública e o combate ao narcotráfico sobre o domínio do Exército. Desde 2019, López Obrador já aumentou em mais de 15% o orçamento militar e favorece o protagonismo das Forças em diversas missões como, por exemplo, a distribuição de insumos à população. Evidenciando, assim, sua confiança na ação militar em garantir o controle da segurança.

    Com essa lei, López Obrador demonstra seu esforço em diminuir a violência mexicana. Sendo uma medida de extrema necessidade, já que, em abril de 2020, foram contabilizados 2.492 homicídios, dos quais 419 foram na cidade de Guanajuato, o epicentro da violência, ocasionados, principalmente, pelo conflito entre os cartéis de drogas. Desta forma, com o aprofundamento da atuação do Exército, juntamente com a Guarda Nacional, aumenta-se as chances de êxito em frear a criminalidade no México.

    O país necessitava de uma ação rígida para conter a violência, porém, essa lei deve ser acompanhada para observar seus desfechos. Há 14 anos, o país registra mais de 200 mil mortes provenientes dos conflitos do narcotráfico, além da insatisfação popular devido às acusações de violações dos direitos civis por parte dos militares. Portanto, López Obrador deve pontuar as falhas das atuações militares, tanto as atuais quanto as do governo Calderón, para haver um aperfeiçoamento e o alcance do objetivo de controlar os níveis de violência e a criminalidade mexicana, sem uma elevada insatisfação popular.


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