Mar do Caribe: palco de tensões entre EUA e Venezuela
Em 02 de junho
de 2020, quatro companhias de transporte marítimo foram sancionadas pelo
Departamento de Tesouro dos Estados Unidos, após um relatório governamental
apontar que estas estavam envolvidas no comércio de petrolíferos da Venezuela.
Em maio, pelo menos cinco navios que seguiam em direção à costa venezuelana
alteraram seus rumos depois das ameaças. O Conselho de Segurança dos EUA
afirmou que tanto petroleiros, como companhias marítimas e fornecedores
associados poderiam ser sancionados. Segundo a agência Reuters, dezenas de embarcações sob análise seriam anunciadas em
breve. Conforme relatos da mídia, empresas petrolíferas chinesas estariam
ponderando o afretamento de navios que tenham visitado a Venezuela. Já no
Brasil, a Petrobras definiu que não contrataria embarcações que tenham operado
no país caribenho nos últimos 12 meses.
As medidas do
governo Trump são parte do contexto de reforço de laços entre dois de seus
maiores adversários, Irã e Venezuela. Em junho, o total de cinco petroleiros
iranianos atravessaram o Atlântico atracando nos portos venezuelanos com cerca
de 1,5 milhão de barris de petróleo, com o propósito de aliviar a escassez do
produto no país. A grande expectativa era sobre a reação entre os três países
no Mar do Caribe. Desde abril, o Pentágono vinha aumentando a sua presença
militar na região, enquanto a chegada dos navios iranianos contava com a
escolta das Forças Armadas venezuelanas assim que adentrassem a Zona Econômica
Exclusiva do país. Contudo, nenhuma ação direta foi tomada.
A represália
dos EUA pode ser também resultado do incômodo com a presença iraniana no
continente americano, região onde os EUA estão inseridos e que tradicionalmente
exercem influência. Especula-se sobre a capacidade do Irã de prover petróleo a
longo prazo para a Venezuela, mas a possibilidade de estabelecer uma rota
frequente produz tensões geopolíticas claras: um canal de ligação entre dois
teatros de operações dos EUA, o Golfo Pérsico e o Mar do Caribe, e ainda sendo
projetado para recompor o principal adversário no cenário sul-americano.
Retaliações devem continuar surgindo no campo do comércio e da diplomacia, mas
vão exigir uma postura político-diplomática cuidadosa por parte de todos os
atores.

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