Grécia e Turquia em iminência de confronto bélico no Mediterrâneo

    No início de junho, o ministro de Defesa grego, Nikos Panagiotopoulos, anunciou que a Grécia estava pronta para um confronto bélico com a Turquia, caso se esgotassem as tentativas de resolução diplomáticas sobre os conflitos recentes com o país. A Turquia vem adotando medidas assertivas para a exploração de gás na região, após ter sido ignorada por países vizinhos, como Grécia, Chipre e Israel, que firmaram um acordo, no início de janeiro de 2020, para a construção do gasoduto marítimo EastMed, que levará gás até a Itália, diversificando as fontes deste combustível na Europa. A previsão de conclusão do gasoduto é 2025.

    A Turquia não é signatária da Convenção das Nações Unidas sobre o Direito do Mar (CNUDM), de 1982, e protesta por novas delimitações na região, pelas quais seus interesses sejam atendidos. A apenas 283 milhas do Chipre, o país luta pelo direito de explorar gás no entorno da ilha, considerando que a República Turca do Chipre do Norte, de maioria turca e apenas reconhecida por Ancara, já teria lhe concedido este direito.

    O outro fator de elevada tensão entre gregos e turcos, ambos membros da OTAN, é o acordo firmado no final de 2019, entre Ancara e Trípoli, sobre novas fronteiras marítimas entre os dois países, sem levar em consideração as águas jurisdicionais gregas. A Turquia vem apoiando militarmente o governo oficial da Líbia, em sua guerra contra o grupo apoiado, principalmente, por Egito e Rússia.

    Assim, por diversas formas, o presidente Erdogan luta pelos direitos turcos de exploração de gás no Mediterrâneo, querendo assumir, inclusive, o papel de maior potência regional, com uma forte indústria de defesa nacional e planos para construção de sua primeira usina nuclear. Se os acordos do pós-guerra favoreceram as potências vencedoras, é possível que Erdogan se utilize de uma nova investida bélica, se necessário, para retomar aquilo que entende que é seu direito de disputa. Esta disputa poderá representar a maior crise, com potencial de conflito, na região.




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