França: operação Resilience face à COVID-19


A operação Resilience, lançada pelo presidente Emmanuel Macron no dia 25 de março, visa coordenar toda atividade militar no combate à COVID-19 em território francês. Esta operação insere-se na declaração do presidente de que a França está em guerra contra a COVID-19. A ênfase dada ao termo “guerra” evidencia a importância das Forças Armadas neste combate, atuando na evacuação aérea de pacientes, aliviando estruturas hospitalares, fornecendo materiais sanitários e garantindo suporte aos territórios ultramarinos.
Vale ressaltar que a França possui a segunda maior zona econômica exclusiva do mundo e, portanto, o papel da Marine Nationale é fundamental ao Estado francês não só como força de dissuasão, mas também para garantir a autonomia e a assistência a todo seu território e população. Os três porta-helicópteros anfíbios da Marinha, com capacidade para 69 leitos, foram mobilizados nesta operação. O navio Tonnerre foi enviado para evacuar pacientes da Ilha de Córsega, o Dixmude para região das Antilhas-Guiana e o Mistral para a Ilha da Reunião e Mayotte no Oceano Índico. O Dixmude e o Mistral tiveram suas missões reorientadas e agora estão encarregados de fornecer uma carga de material e equipamentos médicos, fortalecendo as capacidades do Estado de realizar evacuações médicas por meio de helicópteros, apoiar as forças de segurança locais ou agir como hospital, caso necessário, e pelo reforço da estrutura sanitária dos navios. 
Segundo a ministra das Forças Armadas, Florence Parly, o primeiro desafio para as Forças Armadas francesas atualmente, além de lidar com a urgência da pandemia, é assegurar a continuidade das operações no exterior e dentro do território nacional no seu mais alto nível. Entretanto, o país já conta com 600 militares infectados, quatro desses militares integram a Barkhane (na região do Sahel), principal operação externa da França. Ademais, foi antecedida a retirada dos 200 militares franceses do Iraque e o porta-aviões Charles de Gaulle retornou quinze dias antes à base naval de Toulon por ter 50 casos de COVID-19 a bordo. A França reitera seu comprometimento na luta contra o terrorismo apesar da pandemia, contudo, as Forças Armadas e, sobretudo a Marine Nationale, permanecem atuando acima de suas capacidades e os efeitos disso serão um verdadeiro desafio para o país.




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