A Operação Gedeón e a crescente fragilidade da articulação que sustenta o governo de Nicolás Maduro

   Entre 03 e 04 de maio de 2020, forças de segurança venezuelanas abateram 8 homens e detiveram outros 21 no litoral localizado a 30 km de Caracas por suposto envolvimento na chamada Operação Gedéon (OG). O grupo, formado por dois ex-integrantes das Forças Especiais do Exército dos Estados Unidos e desertores da Força Armada Nacional Bolivariana (FANB), foi acusado pelo governo venezuelano de tentativa de incursão armada com objetivo de capturar e extraditar Nicolás Maduro. Posteriormente, o proprietário da empresa de segurança privada, Jordan Goudreau, e um capitão desertor da FANB, Javier Nieto Quintero, reivindicaram responsabilidade pela OG.

   A operação teria contado com 60 militares venezuelanos desertores, comandados pelo general desertor da FANB, Clíver Alcalá, e com suposto apoio dos governos dos Estados Unidos e Colômbia. Ambos negaram envolvimento. Não há indícios de participação dos EUA na OG. Entretanto, em 2019, Goudreau apresentou um plano preliminar da operação ao Comitê Estratégico de Juan Guaidó e, em 09 de maio, a FANB encontrou três embarcações de combate da Marinha da Colômbia abandonadas, porém equipadas com metralhadoras calibre .50 e M60, nas margens do rio Orinoco, no município venezuelano de Cedeño. O governo colombiano afirmou que as embarcações “foram arrastadas por fortes correntes”.

   Estes eventos podem fomentar a mentalidade de cerco entre militares chavistas, principal base de sustentação de Maduro, cujo papel no controle da estrutura político-econômica venezuelana continua sendo impulsionado pelo governo. O apoio da FANB e a complexidade geopolítica do território venezuelano inviabilizam o sucesso de ações militares de pequena escala, ao passo que a já baixa probabilidade de intervenções de larga escala diminui no contexto da pandemia de COVID-19.

   A saída da Rosneft Oil Company da Venezuela acirrou crises econômicas e de abastecimento energético no país, forçando Maduro estreitar laços com o Irã. Todavia, as principais ameaças ao regime venezuelano referem-se à sua crescente dependência econômica de atividades ilegais insustentáveis e à crise nacional de abastecimento energético, alimentar e de medicamentos. Consequentemente, uma parcela considerável da população sem acesso à assistência básica em saúde estará desamparada em função de um possível aumento do número de casos de COVID-19.




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