O futuro dos investimentos americanos em defesa

   Em 27 de abril de 2020, o Stockholm Internacional Peace Research Institute (SIPRI) divulgou a versão mais recente da sua analise anual dos gastos militares mundiais. A nova versão apresenta os dados de 2019 e demonstra que os gastos em defesa alcançaram US$ 1,9 trilhão, representando um aumento de 3,6% em relação a 2018. O principal país investidor são os Estados Unidos da América, com o total de US$ 732 bilhões, seguido pela China com US$ 261 bilhões. Assim, é pertinente compreender o papel dos EUA no cenário internacional e como a atual pandemia de COVID-19 pode afetar os investimentos globais em defesa.

   Entre 2011 e 2014, devido à crise econômica e financeira mundial, os gastos militares foram reduzidos, contudo, desde 2015, percebe-se um aumento global relevante de investimento em defesa. Em relação aos EUA, 2019 representou o segundo ano de crescimento de gastos, sendo 5,3% maior que os investimentos em 2018, uma mudança expressiva após sete anos (2010-2017) de queda total de 22%. De acordo com o SIPRI, tal crescimento decorre do aumento de custos com o recrutamento de 16.000 militares, e pela atual modernização do inventário de armas convencionais e nucleares.

   É relevante mencionar que a China, além de segunda maior economia do mundo, também é o segundo país que mais investe em defesa, sendo que em 2019 esse gasto foi 85% maior que em 2010. Juntos, a China e os Estados Unidos foram responsáveis por 52% dos gastos militares mundiais em defesa em 2019. Com a atual pandemia de COVID-19 afetando os EUA (o país com maior número registrado de casos e de óbitos), é provável que durante os próximos anos seja difícil para os norte-americanos manterem o nível de investimento em defesa, redirecionando para projetos que priorizem o sistema de saúde e a recuperação das empresas mais afetadas pela paralisação da economia durante a crise. Por outro lado, com o acirramento das tensões geopolíticas entre os dois países será difícil para qualquer presidente dos EUA, em 2021, não se preocupar com os gastos em Defesa.




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