Instabilidade econômica impõe desafio ainda maior no Golfo da Guiné
No dia 26 de
maio de 2020, nove marinheiros regressaram à Geórgia após terem sido feitos
reféns durante 21 dias. O sequestro ocorreu em um navio de bandeira panamenha,
no dia 30 de abril, na costa nigeriana e outro membro da tripulação, que não
teve sua nacionalidade especificada, também foi feito refém junto aos nove
georgianos. O escoamento da produção de petróleo da costa ocidental africana
através de grandes embarcações pelo Golfo da Guiné tem sofrido interceptações
sistemáticas por criminosos.
O trecho é a
principal rota comercial que interliga os Estados africanos que se destacam no
setor energético, como Angola e Nigéria, ao continente europeu, China e Índia.
Observa-se que, em vez de somente se aterem ao roubo da carga, os criminosos
têm optado pelo seqüestro da tripulação, a fim de solicitar o resgate. O índice
destes casos no ano de 2019 cresceu mais que o dobro da média dos quatro
registros de anos anteriores. A Central 24h de Notificação de Pirataria da ICC International Maritime Bureau
registrou 21 ataques na costa oeste do continente apenas no primeiro trimestre
de 2020, e é provável que os números se mantenham críticos.
Observando o
agravamento da situação econômica dos países da África Subsaariana em
decorrência da crise de COVID-19, um estudo publicado pela União Africana
revela que 20 milhões de empregos estão em risco e calcula-se a queda de cerca
de 15% do investimento estrangeiro direto na região. Em relação ao
enfrentamento aos ilícitos, destaca-se que os significativos esforços e
respostas ativas da Marinha nigeriana para conter a pirataria e roubo armado
foram reconhecidos pela Organização Marítima Internacional. A Nigéria é o
primeiro país da África Ocidental e Central a ter uma legislação antipirataria
distinta para ampliar a segurança na região. A redução dos meios de
subsistência no continente, agravada pela vigente crise econômica causada pela
paralisação comercial deve provocar um vertiginoso aumento nos registros de
crimes na região do Golfo da Guiné. Assim, institui-se um desafio à comunidade
internacional: multiplicar o dinamismo nigeriano no combate à pirataria para,
gradualmente, ampliar e reforçar a segurança marítima na região do Golfo da
Guiné. Entretanto, a iniciativa necessita ter o envolvimento dos diversos
atores regionais.
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