A disputa geopolítica da Ucrânia em tempos de COVID-19

   No dia 14 de maio, o Grupo de Contato Trilateral sobre a Ucrânia se reuniu por videoconferência. Composto por representantes de Ucrânia, da Rússia e da Organização para a Segurança e Cooperação na Europa, o grupo foi criado em 2014 a fim de facilitar o diálogo e a resolução das disputas no Leste e no Sul do país. Nessa reunião, a delegação ucraniana foi expandida, sendo liderada pelo vice primeiro-ministro e ministro da Reintegração dos Territórios Temporariamente Ocupados, Oleksiy Reznikov. Na reunião trilateral, discutiu-se a troca de prisioneiros, bem como a criação de checkpoints e a delegação ucraniana manteve a posição de realizar eleições no Donbass somente após retomada do controle fronteiriço das províncias do Leste do país, recusando também a possibilidade de consolidar os status especiais de Donetsk e Luhansk na Constituição ucraniana.

   No dia seguinte, o Parlamento Europeu aprovou ajuda de US$ 1,2 bilhão para a Ucrânia para auxiliar a mitigar os efeitos econômicos da COVID-19, que vitimou 497 pessoas de um total de 17.858 casos no país. Esse pacote faz parte de uma iniciativa maior da União Europeia destinada para 10 países selecionados (Ucrânia, Albânia, Bósnia e Herzegovina, Geórgia, Jordânia, Kosovo, Moldova, Montenegro, Macedônia do Norte e Tunísia), com orçamento total estimado em US$ 3 bilhões. Para acessar esse empréstimo, com prazo máximo de pagamento em 15 anos, os países deverão assinar um Memorando de Entendimento com a Comissão Europeia.

   O fato de 60% da parcela desse pacote ser direcionado à Ucrânia não é por acaso, mas orientado pela geopolítica. Sendo um país fronteiriço à Rússia e com base industrial de Defesa própria, a Ucrânia é um parceiro relevante na tendência de expansão e contenção da OTAN no Leste Europeu desde os anos 1990. Foi esse projeto que levou à Euromaidan em 2014, dado que vários países fronteiriços à Rússia entraram ou manifestaram interesse em entrar na OTAN, como os países bálticos (Letônia, Estônia e Lituânia), a Geórgia e, mais recentemente, a Ucrânia.

   Com isso, envolvendo o esforço de contenção ocidental da Federação Russa, a disputa geopolítica acerca da Ucrânia ainda persiste, conquanto o conflito nas províncias do Leste Europeu tenha diminuído sua intensidade.


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