Escalada militar no Mar Negro
Em 2020, apesar
da pandemia de COVID-19, a Esquadra do Mar Negro russa já realizou uma série de
exercícios navais de antiacesso e negação de área (A2/AD, sigla em inglês),
incluindo exercícios antissubmarino e simulação de disparos de artilharia
contra alvos navais, costeiros e aéreos. A região tem se tornado foco de
tensões entre Moscou e OTAN, que critica a crescente presença militar russa
desde 2014. Apesar da preocupação com esse cenário, os demais países da OTAN
não podem manter navios de grande porte por longos períodos devido à Convenção
de Montreux, de 1936, que limita a presença de navios militares acima de 15 mil
toneladas por países sem costa para o Mar Negro, além de determinar um prazo
máximo de 21 dias de permanência na região.
Diante deste
cenário, pela primeira vez desde a Segunda Guerra, a Romênia classificou
abertamente a Rússia como uma ameaça em sua Estratégia Nacional de Defesa para
o período de 2020 a 2024, enviada ao Parlamento no dia 09 de junho, acusando
Moscou de contribuir para a desestabilização da região, citando seu
comportamento agressivo e violações do Direito Internacional. O país abriga o
maior porto do Mar Negro, em Constança, que movimentou cerca de 66 milhões de toneladas
em 2019, e é um dos principais portos utilizados pela OTAN. A região é
estratégica não apenas pelo potencial econômico do turismo com navios de
cruzeiro ou do tráfego mercante, como também para a segurança energética européia,
pois é trânsito para a recepção do petróleo que vem da Ásia Central e do
Cáucaso.
No entanto, da
perspectiva russa, o que deu início à desestabilização na região não foi a
anexação da Criméia, mas a inserção de sete países do Pacto de Varsóvia na OTAN,
em 2004, dentre eles Romênia e Bulgária, ambos com o litoral para o Mar Negro.
Ademais, o controle sobre a região é crucial para a Rússia continuar presente
numa região que considera como sua esfera de influência, além de funcionar como
uma “zona tampão” cuja perda fragilizaria o núcleo do país.

Comentários
Postar um comentário