A decadente posição do Iraque frente às agressões entre EUA e Irã


   No dia 11 de março, bombardeios atingiram a base de Camp Taji, no Iraque, matando um soldado britânico e dois estadunidenses. Como resposta, no dia seguinte os Estados Unidos bombardearam posições do grupo Kata ‘ib Hezbollah, milícia iraquiana patrocinada pelo Irã. Os ataques a bases em território iraquiano se repetem desde janeiro, quando o Irã retaliou os EUA pelo assassinato do General Qasem Soleimani.
   Esta sucessão de ataques evidencia a fragilidade do território iraquiano frente a esta disputa. Em 2019, houve sucessivas manifestações populares pedindo pelo fim da ingerência externa no país, tanto dos EUA quanto do Irã. Após o assassinato de Soleimani, o Parlamento iraquiano votou pela retirada de tropas estrangeiras do país, o que foi negado pelo presidente norte-americano Donald Trump. Entretanto, enquanto EUA e Irã evitam um combate direto, o Iraque sofre por estar no meio desta disputa e por contar com grande heterogeneidade religiosa e populacional – o país é dividido entre xiitas, sunitas e curdos -, motivo pelo qual há apoiadores da presença norte-americana e também iraniana.
   Além da violência causada por uma disfarçada guerra por procuração, a pandemia de COVID-19 também tem seu papel no xadrez entre EUA e Irã e a agonia do Iraque. Com medo que o forte impacto do vírus no Irã se espalhe da mesma forma pelo Oriente Médio, em 20 de março foi anunciada a retirada de tropas norte-americanas da base no Iraque perto da fronteira com a Síria, e também há a expectativa de que nas próximas semanas sejam retiradas tropas de mais duas bases.
   Nota-se, portanto, um possível aproveitamento da pandemia como estratégia no conflito, já que o Irã é um dos países com maior número de casos e os EUA não retiraram as sanções econômicas ao país, o que pode ser visto como uma estratégia para enfraquecer o regime islâmico. Mesmo que os EUA deixem totalmente o Iraque, não há garantia de estabilidade no país, já que o Irã permanecerá com a estratégia de manter a sua influência, a fim de fortalecer o eixo Hezbollah (Líbano) – Síria – Iraque – Irã, contrariando os interesses de sunitas e curdos.

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

A pirataria no estreito de Ormuz e as conseqüências para o mercado global

A militarização da segurança pública mexicana