Antártica: Livre e vulnerável à COVID-19
Todos os
continentes do planeta foram afetados atualmente pela pandemia de COVID-19, ou
coronavírus, enfrentando o iminente colapso de seus sistemas de saúde, com
exceção de um: a Antártica. O continente gelado, devido ao seu alto grau e
isolamento, não registrou, até o momento, nenhum caso confirmado da doença. Confinados
em estações de pesquisa esparsas ao longo de 14 milhões de quilômetros
quadrados, a maioria concentrada nas regiões costeiras do continente e em
pequenas ilhas, os pesquisadores e militares que habitam temporariamente a
região não tiveram contato com a pandemia em seu momento mais crítico de
contágio.
De outubro a
fevereiro ocorre o verão antártico, época em que as estações de pesquisa estão
em seu apogeu de atividade e em quantidade de pesquisadores, graças às
temperaturas mais amenas e ao bom tempo. No entanto, entre março e outubro, o
inverno torna as condições de vida mais extremas, algumas estações são fechadas
e um número limitado de pesquisadores ficam confinados às estações de pesquisa
permanentes, aquelas que funcionam o ano todo. Nem todos os países possuem
condições de manter uma estação de funcionamento permanente, demandando altos
custos e grande comprometimento com a pesquisa Antártica.
Cerca de 1.100
pessoas trabalham na Antártica durante o inverno, divididos em 41 estações
cujas pesquisas não param em nenhum momento do ano. No verão, com as 36
estações de pesquisa sazonais, o continente chega a abrigar pouco mais de 5.000
pessoas.
Apesar do
isolamento, não se sabe como o vírus e, principalmente, as pessoas infectadas,
se comportariam perante as baixas temperaturas, que registram uma média de
-49ºC no inverno. O risco de contaminação em uma região tão remota traz consigo
a falta de estrutura clínica para atender os enfermos, além do espaço limitado,
no qual os pesquisadores ficam confinados dentro de pequenas estruturas
metálicas equipadas para diversos tipos de pesquisa.
Um dos possíveis
focos de risco é a estação de pesquisa estadunidense McMurdo, a maior do continente, que realizou no mês de março seu
processo de troca de equipe de inverno. Embora os novos moradores da base sejam
monitorados em busca de sintomas da pandemia e passam por período de
isolamento, eles não são propriamente testados para a doença. Mesmo desfrutando
de relativa tranqüilidade em relação a doença, viver no continente reforça a
fragilidade e a vulnerabilidade em que seus habitantes se encontram, parte do
grande esforço para se estar na Antártica.
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