O novo governo libanês e a influência do Hezbollah
No início de
2020, o Líbano presenciou a formação de um novo governo liderado pelo
primeiro-ministro não partidário Hassan Diab. A nova administração foi
instituída em 21 de janeiro, resultado de protestos massivos que ocorrem no
território libanês desde outubro de 2019, quando a população foi às ruas clamar
por reformas estruturais no sistema político e econômico. A pressão da população
levou à renúncia do primeiro-ministro Saad Hariri e, desde então, o país
encontrava-se em um vácuo político.
A atual crise econômica no Líbano é vista
por muitos como uma crise de governança permissiva à cultura da corrupção e à
má administração das contas públicas, elementos que colaboraram para o
crescimento da dívida pública, efeitos negativos no setor bancário e,
consequentemente, escassez de oferta dos serviços essenciais à população.
A implementação do novo governo, entretanto,
não cessou a insatisfação da população de o país ser envolvido na guerra
indireta entre Estados Unidos e Irã, em vigor nos países árabes e acentuada
desde as ofensivas de ambos os países no início do corrente ano. Tal narrativa
é considerada pela relevância política do grupo Hezbollah – grupo de vertente
xiita apoiado pelo Irã – no Líbano e pelo seu conseqüente apoio ao governo
instituído. Considera-se, portanto, o grupo como um ativo estratégico iraniano,
apoiado pelo país desde sua criação, que investe aproximadamente US$ 700
milhões/ano, bem como oferece apoio à infraestrutura e logística por meio da
Guarda Revolucionária, braço militar iraniano que atua em âmbito internacional,
nas suas áreas de influência. Cabe salientar que o Hezbollah é, sobretudo, um
importante player nas disputas
regionais, principalmente na guerra árabe-israelense, ao atuar como defensor da
questão palestina, ao lado de países como Irã e Síria.
O Oriente Médio é marcado por coalizões e
interesses estatais, e o atual cenário traduz a insegurança na região. Ademais,
cabe citar a presença da UNIFIL no Líbano, na qual a Marinha do Brasil atua
desde 2011 no comando da Força-Tarefa Marítima, e representada atualmente pela
corveta Barroso, que tem como tarefas a de impedir o tráfico nas águas libanesas
e oferecer treinamento para a Marinha local. Deste modo, o desdobramento da
instabilidade nacional no Líbano é um fator importante a ser acompanhado tanto
pelo Brasil quanto pelos demais países que auxiliam na Missão.
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