México: fronteiras fecham e narcotráfico expande.


Em 21 de março de 2020, entrou em vigor um decreto dos Estados Unidos que permite a expulsão de imigrantes indocumentados antes mesmo de passarem por triagens nos centros migratórios. Os indocumentados que estavam sob custódia do Escritório de Aduanas e Proteção Fronteiriça estão sendo devolvidos ao México e Canadá, somando mais de 10 mil devoluções. Apenas 100 pessoas seguem sob custódia, em comparação com outras 20 mil em março de 2019.

A medida reduziu em 56% a entrada de imigrantes indocumentados e reflete o fechamento de fronteiras que os Estados Unidos impuseram para evitar a disseminação da COVID-19. As fronteiras fechadas acarretam na impossibilidade de mexicanos que vivem no entorno desta trabalharem na indústria de agricultura, no comércio ou nos setores de serviços estadunidenses, ocasionando falta de mão de obra e desemprego num momento de crise. O atual perfil de 70% dos detidos na fronteira sul é de homens mexicanos solteiros, preferência dos narcotraficantes internacionais, enquanto os demais são provenientes do Triângulo Norte da América Central. Os que não conseguem cruzar a fronteira são devolvidos ou permanecem expostos à violência do narcotráfico, que assola o México há anos.

A crise de violência bateu recorde em março de 2020, quando mais de 2.500 pessoas foram assassinadas no país, tornando-se o mês mais sangrento da história do México. A preocupação de analistas de segurança pública é que a necessidade de gastos governamentais para o controle da pandemia da COVID-19 possa desviar recursos da segurança. Destacam-se as constantes disputas por controle territorial visando ao mercado de drogas ou tráfico de armas pelos narcotraficantes. Recentemente, alguns dos principais grupos de narcotráfico mexicanos, como o Cartel Jalisco Nueva Generación e o Cartel de Sinaloa, protagonizaram divisões internas e espalhamento dos grupos para novas regiões, acendendo um alerta para as autoridades.
Com a perda dos 346 mil postos de trabalho conquistados em 2019 em apenas duas semanas, e recessão iminente, a crise econômica no México poderá agravar a violência com novos casos de extorsão, sequestros, desvios de ajudas de entidades públicas e privadas para enfrentamento da pandemia, disputas entre narcotraficantes e a sua expansão pela cooptação dos desempregados e dos migrantes que forem obrigados a permanecer no país.

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