Economia sul-africana: desastre nacional, recessão e a COVID-19


   Desde o início do governo Zuma na África do Sul, em 2009, o país tem vivido diversos períodos de dificuldade econômica, ocasionando as três primeiras recessões pós-Apartheid. Atualmente, sob a liderança de Cyril Ramaphosa, o país experimenta um momento de forte retração econômica, deterioração das finanças públicas e uma taxa de desemprego que beira 30%. Segundo o departamento de estatística da África do Sul, o PIB contraiu 1,4% no último trimestre de 2019 e 7 dos principais setores do país encolheram. Apenas os setores financeiros (2,7%), de mineração (1,8%) e o de serviços (0,7%) tiveram crescimento.
   Aliado aos diversos problemas políticos e sociais, o grande impulsionador deste cenário de retração na economia mais industrializada da África tem sido a ineficácia da Eskom, estatal responsável pela produção e distribuição de 90% da energia do país, em fornecer luz para áreas residências e industriais, provocando assim, uma série de apagões que tem impactado profundamente a capacidade produtiva dos principais setores industriais sul-africanos. Ademais, a Eskom tem sobrevivido nos últimos 10 anos sob a má gestão e vários casos de corrupção ligados ao alto escalão do CNA (Congresso Nacional Africano), partido governista, que hoje se refletem em forma de perda de força produtiva por meio do fechamento de usinas e dívidas exorbitantes que prejudicam os cofres do país.
   Em consonância com o cenário mundial, a economia sul-africana também será gravemente impactada pela pandemia de COVID-19. Em 16 de março, Ramaphosa decretou estado de desastre nacional, na tentativa de criar respostas rápidas e coordenadas para atenuar a transmissão do vírus, tendo em vista que atualmente é o país da África com o maior número de infectados pela doença.
   Além disso, o país tem um fator complicador em questão de gestão de saúde-pública, pois possui um grande número de pessoas com doenças imuno-debilitantes como a tuberculose (450.000 pessoas contraem anualmente) e a AIDS (cerca de 7,7 milhões de infectados), sendo esses considerados grupos de risco da COVID-19. Desta forma, se Ramaphosa encontrava dificuldades em articular os setores do país de maneira efetiva para robustecer a economia sul-africana, seu desafio será intensificado com o aumento de números de casos de COVID-19 no território nacional e com a implantação de medidas de isolamento social que, consequentemente, contribuirão para a retração econômica do país.

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