Chips de alta tecnologia e moeda virtual: o novo cenário na guerra tecnológica entre China e EUA

    No dia 15 de maio de 2020, os Estados Unidos voltaram a atacar a multinacional chinesa Huawei, ao privar a empresa de uma de suas principais fornecedoras. Os EUA emitiram um decreto estabelecendo que empresas que utilizam equipamentos norte-americanos não poderiam vender seus produtos para a Huawei. Um dos principais alvos deste decreto foi a empresa taiwanesa TSMC, que fabrica chips de alta tecnologia para a Huawei e para a Apple.

    Concomitantemente à emissão do decreto, Pequim anunciou que investiria US$ 2,2 bilhões em sua maior empresa doméstica deste setor, a SMIC. Entretanto, a SMIC ainda não possui a tecnologia e os equipamentos necessários para produzir os chips utilizados pela Huawei. A empresa utilizará, por ora, os chips que vem armazenando há um ano, buscando antecipar restrições desta natureza.

    O Partido Comunista Chinês continua desenvolvendo a sua visão de que a inovação tecnológica deve ser o principal foco do país no processo de tornar-se uma potência hegemônica e o grande investimento na SMIC é apenas uma de suas ações nesse sentido. Desde abril, a China vem testando uma rede de utilização para sua moeda virtual em quatro cidades, se tornando a primeira grande economia a implementar esse projeto. Em um mundo em que, até então, a grande maioria das infraestruturas utilizadas mundialmente para se conectar ao mundo digital é controlada pelos Estados Unidos, a inserção da infraestrutura do “yuan digital” causaria um grande impacto no comércio internacional e na governança global. O “yuan digital” poderia acelerar os esforços de Pequim para a internacionalização de sua moeda, o que poderia derrubar a hegemonia do dólar dentro do sistema financeiro internacional. Isto é, nenhum país seria mais prejudicado pelo desenvolvimento do “yuan digital” do que os Estados Unidos.

    Portanto, com o acirramento da guerra tecnológica entre Pequim e Washington, a China busca minar os principais aspectos que garantem a hegemonia dos Estados Unidos, como o controle do acesso à tecnologia de ponta e o papel do dólar no comércio internacional. Investindo na SMIC e em outras empresas, o país reduz significativamente sua dependência de atores externos. Ao mesmo tempo, Pequim sai na frente ao implementar sua moeda virtual, que, a longo prazo, deve ter impacto disruptivo no sistema internacional.


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