Getúlio Vargas: golpista, ditador, pai dos pobres — O Camaleão que moldou o Brasil

 


Ninguém fez mais pelo trabalhador brasileiro do que ele.

Getúlio Vargas foi um ditador. Mas também foi eleito. Se aproximou de Hitler, mas depois combateu o nazifascismo. Foi um camaleão político: assumia a forma que o momento exigia. Se tornou tudo — inclusive um imortal da história brasileira.

Se o Dia do Trabalhador existe, é porque ele fez esse dia ter sentido no Brasil. Getúlio criou as bases da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), criou o Ministério do Trabalho, a carteira de trabalho, o salário mínimo e muito mais.

Mas como um homem assim chegou ao poder?

O Golpe de 1930: Quando Vargas Perdeu... e Mesmo Assim Venceu



Getúlio Vargas foi um golpista. Em 1930, ele perdeu a eleição presidencial para Júlio Prestes. Não aceitou o resultado. Juntou-se a militares e governadores descontentes, e tomou o poder. O presidente Washington Luís foi deposto antes mesmo do eleito assumir.

Na época, o Brasil vivia sob a República do Café com Leite, em que Minas Gerais e São Paulo revezavam no poder. Getúlio, do Rio Grande do Sul, sabia que, seguindo as regras, não teria chance. Por isso, jogou o tabuleiro no chão.

De 1930 a 1934, ele governou como chefe de um governo provisório. Sem Congresso. Sem Constituição. Só Getúlio

A Revolução Constitucionalista de 1932: SP Contra o Sul



São Paulo se revoltou. O estado lançou a Revolução Constitucionalista de 1932, exigindo o fim do governo provisório e a convocação de uma nova Constituinte. Você consegue imaginar São Paulo sendo bombardeada ? Foi exatamente o que aconteceu. 

Vargas bombardeou São Paulo. Literalmente. A revolta foi esmagada.

Mesmo assim, Vargas convocou uma nova Constituição, promulgada em 1934 após ser pressionado pra caramba.

Essa Constituição trouxe:

  • Voto feminino

  • Voto secreto

  • Justiça Eleitoral

  • Direitos trabalhistas

Pela primeira vez, as mulheres brasileiras votaram. E o trabalhador passou a ter seus primeiros direitos reconhecidos por lei.

Trabalhismo e Repressão: O Jogo Duplo de Vargas



Vargas sempre foi muito trabalhista, seja por estratégia ou por pressão. Mas Vargas também era contraditório. Criava direitos ao trabalhador, mas reprimia greves com violência. Criava o Ministério do Trabalho, mas combatia com mão de ferro os movimentos comunistas.

Em 1935, ocorreu a Intentona Comunista, uma tentativa fracassada de golpe da esquerda revolucionária. Deram todo o argumento que Vargas precisava para se eternizar no poder. Vargas usou isso como justificativa para endurecer seu regime. Começou a espalhar pelos quatro cantos do país que pairava sobre o Brasil uma ameaça comunista - soa familiar né. 


Em 1937, Vargas deu um autogolpe. Cancelou as eleições de 1938, fechou o Congresso, suspendeu os partidos e criou a Constituição do Estado Novo — um texto de viés fascista, altamente centralizador e autoritário. Vargas convenceu o país que os comunistas eram uma ameaça. Que ele precisava ser o ditador para o país andar pra frente. 

E assim o fez. De 1937 a 1945, o Brasil foi governado por um ditador.

Nesse período:

  • Partidos foram proibidos.

  • Prensa e oposição foram censuradas.

  • Prisões políticas e tortura viraram rotina.

  • Mas também foi o início da industrialização brasileira.

Vargas criou a base da indústria nacional, fortaleceu a economia, desenvolveu infraestrutura.

Ambíguo, né? Pra você ver como política não é jogo de mocinho e vilão.

Uma das consequências do Estado Novo foi a proibição de partidos. Isso fez evaporar no Brasil o Movimento Integralista, que eram os nazifascistas brasileiros.

Flertando com o Nazismo, Lutando com os Aliados



Não podemos esquecer que o contexto internacional entre 1939 e 1945 foi de Segunda Guerra Mundial. Engana-se quem acha que Getúlio Vargas foi contra Hitler desde o começo.

Entre 1939 e 1941, Getúlio flertou com o Eixo. Mandava sinais à Alemanha nazista, o que preocupava os EUA.

Essa ambiguidade foi estratégica: para garantir o apoio brasileiro, os Estados Unidos fizeram investimentos bilionários no Brasil. Como resultado, Vargas permitiu que a Força Expedicionária Brasileira (FEB), os chamados pracinhas, participasse da Segunda Guerra ao lado dos Aliados.

Foi assim que o Brasil entrou em guerra contra o nazismo.

Quando os soldados brasileiros voltaram em 1945, a democracia estava em alta. Isso significa que as ideias ditatoriais de Vargas foram perdendo espaço. Pressionado, Vargas foi forçado a renunciar. Depois de 15 anos no poder, seu regime ditatorial chegava ao fim.


A Volta Pelo Voto: Vargas Presidente Novamente



Engana-se quem acha que Vargas, o camaleão, se deu por vencido. Ele se candidatou nas eleições de 1950 e GANHOU. Dessa vez no voto, sem golpe.

Em 1950, Getúlio volta. Dessa vez, eleito pelo povo. O “pai dos pobres” estava de volta.

Agora, seu foco era claro: transformar o Brasil de um fazendão em um país industrializado e soberano.

Criações marcantes:

  • Petrobras (1953)

  • CSN (Companhia Siderúrgica Nacional)

  • BNDE (atual BNDES)

  • ITA (Instituto Tecnológico de Aeronáutica)


Carlos Lacerda e o Caminho para o Fim



Mas Vargas acumulava inimigos. O principal era Carlos Lacerda, jornalista, político da UDN, e seu maior crítico. O que deixava Getúlio à beira de um ataque de nervos.

No começo da década de 50 o Brasil vivia uma crise econômica. A UDN se juntou às Forças Armadas, à imprensa e iniciou um plano golpista contra o Getúlio Vargas. 

A pressão era tanta que um dos seguranças de Getúlio Vargas teve uma brilhante ideia "brilhante"

"E se eu matar o Carlos Lacerda? Acho que o chefe ficaria orgulhoso de mim"

Em 1954 o segurança de Getúlio atira contra Lacerda, mas não consegue matar o maior opositor do governo. As consequências foram nefastas. Obviamente acusaram Vargas de ser o mandante e a pressão ficou insustentável.

Mais uma derrubada de Vargas era questão de tempo...

O Tiro no Peito: A Tragédia Política de 1954

Getúlio não era um cara emocionalmente estável. Vivia angustiado, depressivo e há relatos que vez ou outra dizia que ia dar um fim em tudo. E foi o que ele fez em 1954.

No dia 24 de agosto de 1954, acuado, deprimido e sem saída, Getúlio Vargas se suicidou com um tiro no peito, no Palácio do Catete.

Sua carta-testamento dizia:

“Saio da vida para entrar na História.”

 


Essa carta-testamento que ele deixou virou um os documentos mais importantes da nossa história. Essa carta emocionou todo o país e fez a população se revoltar contra aqueles que teriam sido responsáveis por Getúlio Vargas fazer o que fez.

A comoção nacional foi imensa. Milhares foram às ruas. Os militares e a oposição ficaram acuados.

Xeque-Mate: Vargas adiou por 10 anos o golpe planejado pela oposição. O golpe que planejavam em 1954 só viria dez anos depois, em 1964.

Conclusão: Entre a Luz e a Sombra

Getúlio Vargas foi tudo: golpista, ditador, democrata, desenvolvimentista, autoritário, populista, visionário. Foi o homem mais influente da história política do Brasil.

É impossível entender o Brasil moderno sem Getúlio.

Seu nome está em avenidas, escolas, estátuas. Mas muitos hoje não sabem quem ele foi, ou o que fez.

Goste dele ou odeie, Getúlio Vargas moldou o Brasil que a gente vive hoje.



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