Inteligência russa: agressividade e eficiência global
Todos os governos possuem seus serviços de inteligência como uma ferramenta de assessoramento para a tomada de decisão, e os que relegam esse setor a um segundo plano estão fadados ao insucesso e a surpresas desagradáveis.
Neste sentido,
como todos tentam obter informações que os coloquem em posição de vantagem,
também é fundamental que tenham um setor de contra inteligência para se
contrapor as tentativas de acesso indevido.
O Brasil por
suas dimensões e potenciais econômico e geopolítico sempre será para os outros
governos como uma terra de oportunidades, e sendo assim eles precisam obter
informações para as suas estratégias de aproximação.
No caso da
Rússia, seus interesses no país aumentaram a partir de 1985 e seriam
principalmente nos setores energéticos (fóssil e nuclear), agrícola e militar
(venda de equipamentos, lançamento de satélites e propulsão nuclear). Um dos
métodos empregados é pela utilização de belas agentes, como nos casos de Anna
Chapman (presa nos EUA em 2010) e Maria Butina (presa nos EUA em 2019). Além
disso, recentemente tivemos no Brasil o caso do navio russo de pesquisa e
inteligência, chamado Yantar, navegando próximo da área por onde passam os
cabos submarinos em direção a Europa.
O Brasil é um
alvo de vários serviços de inteligência estrangeiros.
O governo de
Vladimir Putin tem sido acusado internacionalmente de realizar a eliminação, em
sua maioria por envenenamento, de seus opositores e dissidentes, dentro e fora
do país, por meio do seu serviço de inteligência, notadamente FSB. Vários casos
foram investigados por autoridades europeias, sendo os mais conhecidos:
·
Skripal: foi um ex-espião russo, e
assassinado por envenenamento, aparentemente por agentes russos, no Reino
Unido;
·
Ivan Kivelidi: foi um banqueiro russo, e
envenenado por cádmio em seu escritório;
· Boris Berezovsky: um ferrenho crítico do
governo Putin, e foi encontrado enforcado em seu banheiro. A inteligência
estadunidense alega que Boris foi assassinado por agentes russos. Além disso,
Badri Patarkatsishvili e Yuri Golubev, que eram ligados a ele, também foram
assassinados provavelmente por envenenamento;
· Alexander Litvinenko: foi envenenado com
substância radioativa. Era um crítico do governo Putin;
· Alexei Navalny: é um forte oposicionista a
Putin e é o principal no país. Foi envenenado por um agente químico da família
novichok. Conseguiu sobreviver, devido aos cuidados recebidos ainda em
território russo, e a posterior transferência para a Alemanha. Navalny foi o
caso mais recente.
Com o envenenamento de Navalny, são
esperadas sanções econômicas contra as autoridades russas envolvidas nesse
evento, e quiçá contra o governo de Moscou. Ademais, a OTAN também advoga que
sejam realizadas sanções contra o governo de Putin, e existem pressões intensas
no governo alemão para que o acordo com a Rússia referente ao financiamento da
construção do oleoduto NORDSTREAM 2 seja revisto, e talvez cancelado, em
represália as atitudes russas.
Por outro lado, o governo de Moscou negou
veementemente as acusações sobre os assassinatos seletivos, e prometeu realizar
sanções contra os governos de Pais e Berlim. Além disso, acusa Alexei Navalny
de ser um agente que opera em favor dos países ocidentais com o intuito de
desgastar o governo russo.
A Rússia tem empregado as suas agências de inteligência em praticamente
todo o globo com muita agressividade, seja eliminando dissidentes,
seja realizando ataques cibernéticos com o intuito de atingir alguns de seus
objetivos estratégicos ou para desestabilizar governos criando o caos.
Nesse sentido, tem-se observado uma disputa entre as agências de inteligência russas por
recursos e influência junto ao Kremlin, aonde o GRU vem se destacando por suas operações, principalmente no tocante a
ataques cibernéticos, conseguindo ficar bem próximo de Putin.
Sendo assim, abordaremos de forma resumida as principais agências:
- Glavnoye
razvedyvatel’noye upravleniye ou Main
Intelligence Agency of the General Staff of the Armed Forces - GRU: atualmente é a mais
agressiva e conhecida agência de inteligência russa, bem como é a mais
antiga com mais de 100 anos de existência. É uma agência de inteligência militar sendo responsável pelas forças especiais conhecidas como Spetsnaz, além disso, também tem como
atribuições: inteligência militar / guerra cibernética / inteligência de
sinais / reconhecimento / operações de inteligência / operações
psicológicas / missões de sabotagem / guerra de informações. Ademais,
organiza e coordena os seus proxies
por meio dos Spetsnaz. Atuou
nos conflitos na Ucrânia, Síria, dentre outros;
- Foreign
Intelligence Service - SVR:
responsável pela inteligência
estrangeira (campo externo) e trabalha em coordenação com o GRU. Tal serviço é derivado
da ex-KGB;
- Federal
Security Service - FSB:
responsável pela contra-inteligência,
e atuaria no campo interno (segurança interna). Porém, realiza, também,
operações no exterior, e ganhou destaque no tocante a inteligência
externa, rivalizando com o GRU. Tal serviço é derivado da ex-KGB;
- Federal
Protective Service - FSO:
atua como uma agência supervisora das demais, verificando as operações
realizadas e os relatórios de inteligência produzidos.
Devido
à agressividade do GRU contra os EUA, foi elaborado um relatório para o
Congresso estadunidense, em 24 de novembro de 2020, intitulado Russian Military Intelligence:
Background and Issues for Congress, onde são abordados e analisados os serviços de inteligência
russos e as ameaças que representam.
Convém mencionar que, os serviços de
inteligência russos, notadamente o GRU, estão atuando na Venezuela.
Opinião: Os serviços
de inteligência russos são os mais agressivos do mundo, e são utilizados em
larga escala pelo governo de Moscou para atingir os seus os seus objetivos
geopolíticos. O GRU, em minha análise, é a agencia mais assertiva, onde emprega
os Spetsnaz, os grupos mercenários como o Wagner Group, e outros proxies. Além
disso, tenho plena certeza que os serviços de inteligência russos operam no
Brasil.
Putin realmente adota a prática de
eliminação de seus opositores, e o insucesso na eliminação de Alexei Navalny
terá como consequência um maior isolamento geopolítico russo junto a União
Europeia, com grande possibilidade de ter o acordo de construção do oleoduto
NORDSTREAM 2, com a Alemanha, cancelado, o que seria muito desastroso
economicamente para Moscou. O cancelamento do acordo sempre foi uma demanda dos
EUA, com o intuito de estrangular ainda mais a econômica russa, bem como
diminuir a dependência europeia do gás russo. Além disso, pode-se depreender
que a Rússia produz e faz uso de armas químicas, apesar de proibido.
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