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Mostrando postagens de abril, 2020

México: fronteiras fecham e narcotráfico expande.

Em 21 de março de 2020, entrou em vigor um decreto dos Estados Unidos que permite a expulsão de imigrantes indocumentados antes mesmo de passarem por triagens nos centros migratórios. Os indocumentados que estavam sob custódia do Escritório de Aduanas e Proteção Fronteiriça estão sendo devolvidos ao México e Canadá, somando mais de 10 mil devoluções. Apenas 100 pessoas seguem sob custódia, em comparação com outras 20 mil em março de 2019. A medida reduziu em 56% a entrada de imigrantes indocumentados e reflete o fechamento de fronteiras que os Estados Unidos impuseram para evitar a disseminação da COVID-19. As fronteiras fechadas acarretam na impossibilidade de mexicanos que vivem no entorno desta trabalharem na indústria de agricultura, no comércio ou nos setores de serviços estadunidenses, ocasionando falta de mão de obra e desemprego num momento de crise. O atual perfil de 70% dos detidos na fronteira sul é de homens mexicanos solteiros, preferência dos narcot...

A decadente posição do Iraque frente às agressões entre EUA e Irã

      No dia 11 de março, bombardeios atingiram a base de Camp Taji , no Iraque, matando um soldado britânico e dois estadunidenses. Como resposta, no dia seguinte os Estados Unidos bombardearam posições do grupo Kata ‘ib Hezbollah , milícia iraquiana patrocinada pelo Irã. Os ataques a bases em território iraquiano se repetem desde janeiro, quando o Irã retaliou os EUA pelo assassinato do General Qasem Soleimani.       Esta sucessão de ataques evidencia a fragilidade do território iraquiano frente a esta disputa. Em 2019, houve sucessivas manifestações populares pedindo pelo fim da ingerência externa no país, tanto dos EUA quanto do Irã. Após o assassinato de Soleimani, o Parlamento iraquiano votou pela retirada de tropas estrangeiras do país, o que foi negado pelo presidente norte-americano Donald Trump. Entretanto, enquanto EUA e Irã evitam um combate direto, o Iraque sofre por estar no meio desta disputa e por contar com grande heterogeneidade relig...

A pirataria no estreito de Ormuz e as conseqüências para o mercado global

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    O comércio através do Estreito de Ormuz é historicamente permeado por disputas enraizadas em interesses políticos e econômicos. A insegurança regional gera instabilidade nas rotas marítimas comerciais que circundam a Península Arábica, causando ameaças ao comércio global de petróleo, principalmente no Estreito de Ormuz, por onde transita diariamente 35% do petróleo e um terço do gás natural liquefeito (GNL) mundiais. Ao considerar as características regionais supracitadas, uma problemática é abordada como fator determinante para essa insegurança: a pirataria.    Um recente estudo divulgado pela Duke University analisou as implicações da pirataria no Estreito de Ormuz contra navios-tanque e seus efeitos para os países do Golfo Pérsico, principalmente no que tange à exportação de combustíveis fósseis. Devido ao aumento dos casos de pirataria na região e a crescente insegurança marítima frente aos conflitos, observa-se uma ampliação dos gastos em segurança...

Economia sul-africana: desastre nacional, recessão e a COVID-19

   Desde o início do governo Zuma na África do Sul, em 2009, o país tem vivido diversos períodos de dificuldade econômica, ocasionando as três primeiras recessões pós-Apartheid. Atualmente, sob a liderança de Cyril Ramaphosa, o país experimenta um momento de forte retração econômica, deterioração das finanças públicas e uma taxa de desemprego que beira 30%. Segundo o departamento de estatística da África do Sul, o PIB contraiu 1,4% no último trimestre de 2019 e 7 dos principais setores do país encolheram. Apenas os setores financeiros (2,7%), de mineração (1,8%) e o de serviços (0,7%) tiveram crescimento.    Aliado aos diversos problemas políticos e sociais, o grande impulsionador deste cenário de retração na economia mais industrializada da África tem sido a ineficácia da Eskom , estatal responsável pela produção e distribuição de 90% da energia do país, em fornecer luz para áreas residências e industriais, provocando assim, uma série de apagões que tem impactad...

Antártica: Livre e vulnerável à COVID-19

   Todos os continentes do planeta foram afetados atualmente pela pandemia de COVID-19, ou coronavírus, enfrentando o iminente colapso de seus sistemas de saúde, com exceção de um: a Antártica. O continente gelado, devido ao seu alto grau e isolamento, não registrou, até o momento, nenhum caso confirmado da doença. Confinados em estações de pesquisa esparsas ao longo de 14 milhões de quilômetros quadrados, a maioria concentrada nas regiões costeiras do continente e em pequenas ilhas, os pesquisadores e militares que habitam temporariamente a região não tiveram contato com a pandemia em seu momento mais crítico de contágio.    De outubro a fevereiro ocorre o verão antártico, época em que as estações de pesquisa estão em seu apogeu de atividade e em quantidade de pesquisadores, graças às temperaturas mais amenas e ao bom tempo. No entanto, entre março e outubro, o inverno torna as condições de vida mais extremas, algumas estações são fechadas e um número limitado d...

Indonésia e o futuro energético sustentável

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   No início do mês de março, o governo indonésio anunciou seu objetivo de dobrar a produção de gás natural até 2030, chegando à marca de 12.300 pés cúbicos diários, por meio de projetos de construção de gasodutos. Essa notícia foi veiculado logo após a descoberta de duas grandes reservas de combustível, fato que vai de encontro com o propósito de Jacarta de se tornar o principal produtos mundial de gás natural, titulo que atualmente pertence à Austrália.    A exploração de hidrocarbonetos em território indonésio data de 1885, quando houve a primeira descoberta comercial de reservas de petróleo. O país foi membro da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (OPEP), é o maior exportador de gás natural do Sudeste Asiático, o quarto maior exportador mundial de carvão e é um dos grandes produtores de biocombustíveis. Em 2006, foi lançada a Política Nacional de Energia, estabelecendo que até 2025 a diversificação ideal de matrizes energéticas seja de menos de 20...

Impactos do novo Coronavírus no comércio marítimo global

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Em 11 de março de 2020, a Organização Mundial da Saúde (OMS) declarou pandemia do novo Coronavírus (COVID-19). A disseminação do vírus colocou o mundo inteiro em uma situação sem precedentes. Para retardar a propagação da doença e mitigar seus impactos, as viagens estão sendo restringidas e as fronteiras, fechadas. Assim, o comércio marítimo e suas atividades relacionadas vêm sendo largamente afetados, visto que os portos estão sendo fechados e os navios, proibidos de atracar. No entanto, os impactos econômicos dessas restrições precisam ser gerenciados, a fim de evitar um colapso nas linhas de suprimentos.    Cerca de 90% do volume de cargas do comércio internacional se dá pelo mar. Contudo, os tripulantes, fundamentais para a manutenção do setor, estão sendo impossibilitados de viajar para embarcar e as trocas de tripulação estão se tornando cada vez mais complexas. A marinha mercante possui importância vital para o comércio, principalmente durante conflitos e crises com...

O novo governo libanês e a influência do Hezbollah

   No início de 2020, o Líbano presenciou a formação de um novo governo liderado pelo primeiro-ministro não partidário Hassan Diab. A nova administração foi instituída em 21 de janeiro, resultado de protestos massivos que ocorrem no território libanês desde outubro de 2019, quando a população foi às ruas clamar por reformas estruturais no sistema político e econômico. A pressão da população levou à renúncia do primeiro-ministro Saad Hariri e, desde então, o país encontrava-se em um vácuo político.    A atual crise econômica no Líbano é vista por muitos como uma crise de governança permissiva à cultura da corrupção e à má administração das contas públicas, elementos que colaboraram para o crescimento da dívida pública, efeitos negativos no setor bancário e, consequentemente, escassez de oferta dos serviços essenciais à população.    A implementação do novo governo, entretanto, não cessou a insatisfação da população de o país ser envolvido na guerra indir...

A fragmentação como ameaça à hegemonia do Ocidente

Entre 14 e 16 de fevereiro de 2020, foi realizada a 56 ª Conferência de Segurança de Munique (MSC, sigla em inglês). O principal tópico da edição foi Westlessness , que descreve a hipótese de um Ocidente em declínio, fragmentado por dentro e que influencia cada vez menos a Ordem Internacional. Um dos principais participantes foi o secretário de Estado norte-americano, Mike Pompeo, que, com uma opinião divergente a de seus vizinhos transatlânticos, afirmou: “o Ocidente está ganhando”. Com seu discurso, Pompeo aspira incentivar a união do Ocidente, salientando a importância da OTAN, principalmente em oposição à potência chinesa.    Recentemente, o principal parceiro europeu do Governo Trump, o primeiro-ministro britânico Boris Johnson, anunciou que permitirá a construção de partes da nova rede de banda larga móvel 5G pela empresa chinesa Huawei. De acordo com os norte-americanos, tal posicionamento é uma ameaça existencial à ordem do mundo ocidental, como foi demonstrado p...